Slam das Minas

Aluna: Jade Cardoso Raimundo – 2E

Slam Resistência é um evento que acontece toda primeira segunda feira do mês na Praça Roosevelt, no centro de São Paulo. O objetivo do encontro é apreciar poesias autorais dos candidatos que disputam entre si, sendo julgados por jurados da plateia escolhidos pelos organizadores. Tal iniciativa promove a ascensão de vozes que não são ouvidas normalmente e permite que as pessoas tenham a oportunidade de se expressar através da fala e gestos corporais.

 Eu conheci o Slam Resistência através de uma amiga, a qual me enviou vídeos de participantes recitando. Ao ver o conteúdo, me intriguei com a proposta e resolvi pesquisar mais sobre o evento, pelo qual me apaixonei completamente. Já faz aproximadamente um ano que eu acompanho os vídeos no canal Sociedade Dos Poetas Subversivos e pelo facebook Slam Resistência. Foi por esse meio, que eu me inteirei sobre a poetisa Mel Duarte, a qual admiro muito e que me levou a conhecer o Slam das Minas, organização que possui o mesmo objetivo que o original, entretanto, só as mulheres podem recitar.

 O Slam das Minas ocorre em diversos locais do Brasil. A batalha à qual eu fui aconteceu no jardim do Museu da Imigração, que está localizado no Brás. Para chegar até o local, peguei o trem e metrô com três amigas e andei uns 10 minutos até alcançar o lugar. Ao entrar no Museu, me deparei com um belo jardim e uma fonte com estátuas venustas. O clima que o lugar propusera era extremamente aconchegante. Após algum tempo, as poetisas chegaram para iniciar o show e eu fui escolhida para ser uma das juradas. O embate de palavras começou e, conforme as poesias eram recitadas, mais eu me encantava com a magia dos discursos e da dialética utilizada brilhantemente pelas autoras. Os temas eram variados, mas os mais recorrentes eram relacionados ao feminismo e a crítica da sociedade preconceituosa. A artista que mais me chamou atenção foi a baiana Fabiana D’Alcântara, a qual recitou as poesias de forma inspiradora e possuía um conteúdo abrangente e conveniente.

É importante ressaltar a relevância de organizações como essa, que dão visibilidade as pessoas e chances dessas exporem seus pensamentos e opiniões. Além disso, o Slam possibilita a discussão de assuntos contemporâneos pertinentes, os quais deveriam ser debatidos em outros lugares como, por exemplo, nas escolas. Na minha visão, seria necessário que o ambiente escolar dispusesse tempo para que questões que afetam nossa realidade fossem analisadas. Dessa forma, os estudantes teriam o senso crítico e o ativismo apurados.

O Slam e a poesia me influenciam de tal forma que resolvi escrever um texto baseado em experiências que eu tenho no cotidiano na linguagem de batalha. Espero que goste.

 

Às 18 horas

São 18 horas
A lua se revela no céu
Negro como meus devaneios
Encoberto pelas nuvens
As quais se assemelham a um véu
Translúcido, ainda pode-se ver seu interior
Mesmo que tente esconder
É visível seu esplendor 

Luzes artificiais são acesas
Disputando com a celeste apagada
Sobressaem-se com clareza
E dão vida e beleza
A uma paisagem já consumida pela tristeza

Pelo ônibus ponho-me a observar os semblantes
E que vistas agonizantes!
Cansaço e estresse encubados na expressão
Daqueles que esperam o sinal verde
Postos a depressão 

Diante disso, surge uma indagação
Será que eu estarei no lugar deles daqui alguns anos?
“O vazio sem esperança”
Reflete a mediocridade instalada no sistema
American Way Of Life é uma constante lembrança
Alienação de uma sociedade que não enxerga o problema 

Será que serei assim?
Abdicarei os meus sonhos para viver
Viver não, sobreviver
E contribuir para uma instituição que não tem percepção
A qual dispõe a visão de números,
Porém não possui compaixão
Milhares estão sendo mortos
A cada minuto mais um
Enquanto tu lias essa poesia
Uma bala reluz
Não acertando o dono,
Mas sim aquele que produz 

Sistema hipócrita
Promete oportunidade
Meritocracia é o que dizem acreditar
Entretanto, sucumbem a realidade
Falam que todos estão no mesmo patamar

O sinal abriu
Os carros partiram
A reflexão sumiu
E ainda são 18 horas