“Carinhoso” (Pixinguinha)

Alunos:  Sarah Eilen Carvalho da Silva (2E), Guilherme Ziroldo (2A), Piero Gomide (2C), Gabriel Ziroldo (1A) e Felipe Suzuki (2E).
Autora do texto: Sarah Eilen Carvalho da Silva (2E). 

Herdeira da segunda geração da bossa nova e das raízes folclóricas, a Música Popular Brasileira, ou a MPB, surge essencialmente na década de 1960, porém suas influências musicais datam desde muito antes. Em virtude da fusão de tão variadas culturas desde o período colonial brasileiro, esse estilo musical baseou-se nas tradições europeias, africanas e indígenas. No final do século XIX, seguindo a batida rítmica do lundu africano, a melancolia das modinhas portuguesas e os passos da dança de salão européia, o choro ou chorinho foi criado. Alicerçada com as raízes do choro, a bossa nova foi fundamental para que a Música Popular Moderna – como anteriormente fora conhecida a MPB – fosse criada, uma vez que a harmonia melódica e sofisticação da Bossa Nova expressam-se de forma notável nas músicas desse gênero em questão.

Alastrada por meio do Festival de Música Popular Brasileira, um concurso anual de canções originais que teve seu ultimato em 1969, a MPM tornou-se popular por entre estudantes e intelectuais, ficando conhecida como “a música da universidade” e colaborando para a alteração do nome para Música Popular Brasileira, como é conhecida atualmente. Perdendo parcialmente seu sentido preliminar graças a muitas influências culturais, se tornou difícil caracterizá-la, problema que estende-se até a contemporaneidade. Apesar de suas perdas, esse estilo acabou fazendo parte do perfil dos estudantes, a música passou a representar os jovens pensadores no final da década de 60 e início da década de 70, transparecendo nas canções seus desejos radicais e insubmissíveis. Recobrando seu inicial perfil nacionalista, esse gênero musical contribuiu para com os movimentos contra a ditadura militar instaurada no país no ano de 1964. O simbolismo revolucionário da música não passa despercebido durante a repressão cultural, interferindo no modo que o povo via a situação do próprio país por meio das músicas e de muitos conteúdos censurados neste período de pura doutrinação militar.

O fato mais interessante é que, fundamentados em um ambiente hostil e estéril resultante da censura, os cantores e compositores conseguem firmar raízes e fazer crescer o plantio que anteriormente não crescia com tanta persistência quanto crescia naquela época de ditadura. Muitas vezes, novos estilos musicais são criados em ambientes hostilizados e repressores e o resultado é extraordinário. Não somente estilos musicais se encaixam nesse sentido, mas também a literatura, a pintura, a arte como um todo. Todos os 21 anos, sofridos anos, de ditadura contribuíram para que a ascensão da Música Popular Brasileira fosse copiosa.

Colocando a história da Música Popular Brasileira em perspectiva, vemos a importância que trouxe à sociedade brasileira. Dentre os artistas que fizeram e fazem parte dessa trajetória musical temos uma lista demasiadamente grande contendo os nomes de soberbos artistas como Edu Lobo, Vinícius de Moraes, Elis Regina e Milton Nascimento. Contendo outras vertentes, esse estilo musical abrange atualmente estilos como o rock, soul e o funk, acompanhado de cantores e compositores como Gilberto Gil, Tim Maia e Gal Costa. Entretanto, devo chamar atenção para um dos pioneiros da MPB: o queridíssimo Pixinguinha.

Alfredo da Rocha Vianna Filho, conhecido como Pixinguinha, viria a ser um dos mais renomados cantores, músicos e compositores de todos os tempos. Nasceu dia 23 de abril de 1897, no Rio de Janeiro, e logo aos seus onze anos começou a sua estrada pelo mundo da música tocando cavaquinho e, sem demora, o pai notou seu talento. O menino não tarda a aprender flauta e, posteriormente, saxofone, desencadeando na profissão de Pixinguinha como músico no Teatro Rio Branco. Acompanhando o aprendizado musical de Alfredo, suas composições também tornam-se destaque, cuja primeira a ser publicada em 1914 chamava-se “Dominante”, um tango de sua autoria.

Formou-se, em 1919, um grupo chamado Oito Batutas, no qual Pixinguinha – como flautista – e seu irmão, China – vocal e violão – , faziam parte. A banda destacou-se pelo Brasil e afora, obtendo grande prestígio até que em meados da década de 1931 o grupo acabou por se dissolver definitivamente.

Pixinguinha, ao seus 20 anos, lança um choro instrumental chamado Carinhoso, sendo terrivelmente injustiçado em razão de não ter sido bem aceito pela crítica no seu lançamento. As críticas fundamentavam-se na fixa ideia de que, naquela época, os choros tinham três partes obrigatoriamente, enquanto Carinhoso obtinha somente duas, além de ela ter uma sonoridade mais puxada para o jazz americano, o que deixou os críticos muito insatisfeitos. Quando o tenor, cujo acervo musical possui mais de 60 obras, morreu em 17 de fevereiro de 1973, encerrou-se, assim, uma vida de incríveis 75 anos de pura música.

Motivados com a abertura do sarau do 3º ano do Ensino Médio de 2018 sobre o Festival de Música Brasileira, resolvemos apresentar a reprodução de Carinhoso do Pixinguinha, buscando as raízes da Música Popular Brasileira.

Nosso grupo de músicos encontrou-se para que pudéssemos tocar Carinhoso, composta por Pixinguinha e letrada por João de Barro, no dia 2 de setembro de 2018. Concordamos alguns dias antes que a música seria, mais especificamente, a versão da Marisa Monte com Paulinho da Viola, para que todos estivessem familiarizados com ela e, chegando o dia da gravação, todos já sabiam seus papéis e suas partes. Ficou estipulado que o Guilherme Ziroldo (2ºA) ficaria no teclado e cantaria, o Piero Gomide (2ºC) ficaria no baixo, o Gabriel Ziroldo (1ºA) na bateria, o Felipe Suzuki (2ºE) na guitarra e, finalmente, eu no vocal. Novamente digo que não é fácil ser vocalista, uma vez que qualquer erro pode arruinar a música. Felizmente, desta vez cantando Carinhoso, a pressão foi menor do que com o que aconteceu com Frank Sinatra. Mesmo sendo músicas cujas vozes são fortes e empoderadas, todas são únicas e cada uma tem seus pontos positivos e negativos para quem as escuta. A meu ver, a voz da Marisa Monte não tem muitos pontos negativos, o que deixa a música mais desafiadora, porém sua voz não se compara com o barítono Frank Sinatra quanto ao nível de desafio, pelo menos para mim. Após a gravação da música, passamos a tocar as músicas que mais gostamos – rock, obviamente – e o dia se encerrou com nosso grupo de músicos mais que contentes por termos gravado sem nenhum erro (notável).