Mosteiro dos Jerônimos (Portugal)

Aluna: Gabriela Santo Azzolini – 1F 

Nas férias de julho deste ano, eu e meus pais viajamos ao nosso tão sonhado destino, Portugal. Lá, tive a oportunidade de aprender muito sobre a cultura europeia  e sobre as ligações do local à história brasileira. Ainda, pude ter contato com pessoas dos mais diversos lugares do mundo, conhecer cidades, desde as que preservam suas heranças medievais (como Óbidos) até as mais urbanas e contemporâneas, além de experimentar novos sabores de uma rica gastronomia. Foram muitos os lugares que visitei, mas, sem dúvidas, um dos mais interessantes foi o Mosteiro dos Jerônimos, situado em Lisboa.

Este é um mosteiro do estilo manuelino (do Renascimento em Portugal) localizado na praia do Restelo, no bairro de Belém, construído durante o reinado de D. Manuel I, no século XVI, com vista às expedições que dali partiriam em 1497, com Vasco da Gama para as Índias, e em 1500, com Pedro Álvares Cabral para o Brasil, de forma que os navegadores receberiam assistência espiritual antes da viagem. Na época, a entrada do mosteiro era extremamente próxima ao rio Tejo, exatamente com o objetivo de dar bênçãos aos navegadores dos Descobrimentos, antes das viagens. Hoje, já, a parte da frente deste é mais distante deste rio, o qual teve uma parte aterrada neste trecho séculos mais tarde da construção.

Minha visita ocorreu durante a manhã do dia 2 de julho. Apenas observando a fachada do mosteiro, já havia me encantado. Era muito grandioso, apresentava um belo jardim à sua frente, e então a praia, e tinha muitos detalhes. Ao entrar, a primeira coisa que fiz foi olhar pra o teto e para as grandes colunas existentes. Ele era absolutamente gigantesco e riquíssimo em detalhes, os quais fui percebendo com o passar do tempo e relacionando com a história portuguesa da época que fora construído. Logo na entrada, há dois túmulos; o que se localiza à direita é uma sepultura vazia de Luís de Camões, o maior poeta e “pai” da língua portuguesa; e o da esquerda é de Vasco da Gama, um dos principais “descobridores”. A igreja deste mosteiro apresenta uma planta em cruz (tradicional à época), composta por três naves: uma maior na vertical, que se refere ao corpo e maior parte do monumento, onde está a capela-mor, a qual é de estilo maneirista (movimento nas artes entre o Renascimento e o Barroco); e duas menores horizontais onde se encontram sepulturas e cenas da Paixão de Cristo. Ainda, nas paredes, há grandes e coloridos vitrais.

O que mais me chamou atenção foi o teto, os detalhes existentes nas colunas e as esculturas presentes nas portas espalhas pela igreja do mosteiro. O teto é constituído por uma extensa abóbada polinervada (não lisa) suportada por seis pilares, sendo surpreendente por sua grandiosidade. As colunas são altas e cobertas por diversos ícones, principalmente por esferas, umas com uma cruz no centro, representando a cruz de cristo, e outras com diversas linhas em volta que mostrariam a união dos locais do mundo.  Além disso, as portas apresentavam seus batentes esculpidos com diversas cabeças de índios e reis, representando a descoberta e o domínio de novos territórios, como do Novo Mundo, pelos portugueses.

Mesmo a visita tendo sido a um mosteiro, neste analisei, principalmente, as referências históricas, e não tanto seu caráter religioso momentâneo. Acredito, realmente, que ele seja um ponto que quem for a Lisboa não pode deixar de conhecer, devido aos seus valores e à experiência incrível que propicia. Ele é um marco histórico da época das Grandes Navegações, apresentando a busca do homem por novos conhecimentos, unido à religiosidade do momento.

Por fim, logo que sai do Mosteiro dos Jerônimos, segui para a conhecida confeitaria dos Pastéis de Belém, próxima dali. Pude saborear, então, este maravilhoso doce da culinária portuguesa , dando fim a meu passeio.

Nas imagens acima: entrada do mosteiro, túmulo de Camões e detalhe das abóbadas.