MASP e a representatividade feminina na arte

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Aluna: Laura Cortes Modes – 2C 

No dia dez de março, fui ao MASP (Museu de arte de São Paulo) junto com um grupo de amigos, incluindo duas meninas polonesas que estavam fazendo intercâmbio no Brasil.  Por conta da presença delas, aprendi a visitar lugares, como o próprio museu, com um olhar turístico. E durante as duas semanas que passaram por aqui, percebi a quantidade de cultura e beleza que São Paulo apresenta, percepção que a rotina não nos deixa ter.

As polonesas estavam muito ansiosas para conhecer o MASP, pois lá fora ele é reconhecido como um museu cheio de obras de renomeados artistas e apresenta grande diversidade artística. Começamos pelo segundo andar, onde há exposições fixas do acervo. Lá, encontram-se obras maravilhosas e muito famosas, por exemplo pinturas de Portinari e Vincent Van Gogh. As polonesas ficaram maravilhadas com a exposição e com a forma original com que as obras são expostas: por conta da brilhante ideia da arquiteta Lina Bo Bardi de  selar as obras em cavaletes de vidro, e não em paredes opacas, as pinturas parecem estar flutuando, como se estivessem suspensas, criando uma sensação de leveza.

Estava achando todas as obras muito lindas e maravilhada com o museu, mas no final do segundo andar me deparei com uma informação:

Das 122 obras que existem no MASP, apenas 4 são de artistas femininas. E essa estatística não muda se observarmos outros lugares do mundo: por exemplo, o MET, museu reconhecido de Nova York, apresenta apenas 5% de artistas femininas e 85% de nus femininos. Ou seja, mulheres não têm espaço no mundo da arte pois não são reconhecidas como artistas e, sim, como musas.

Por conta dessa mentalidade machista, que nos rodeia desde muito tempo atrás,  artistas mulheres são desvalorizadas e por mais talento que elas tenham, nunca serão mais reconhecidas que um homem. Infelizmente, essa realidade não acontece só dentro do mundo da arte, mas em toda sociedade. A mulher nunca teve voz e poder de mudança, contudo, cada vez mais pessoas se juntam para lutar por igualdade de gênero.

O cartaz exposto no MASP foi criado por um grupo de mulheres que, atualmente, vêm lutando por essa igualdade dentro do mundo da arte. Elas são chamadas de Guerrilla Girls, e usam máscaras de gorilas para não serem identificadas, assim podendo ter maior liberdade de expressão. Elas já passaram por vários países, e em 2017, foi a vez do Brasil.

Nosso país apresenta péssimas condições de igualdade de gênero e infelizmente, no ano passado, caiu 11 posições no ranking mundial (Relatório de Desigualdade Global de Gênero 2017), ficando em 90º lugar. A baixa participação feminina política foi a principal causa da queda no ranking. Com isso, podemos perceber que mulheres brasileiras estão longe de conseguir alcançar a igualdade.

Esses fatos são comprovados dia após dia dentro da nossa sociedade. Por exemplo, o triste acontecimento no Rio de Janeiro, que envolveu Marielle Franco, mulher que lutava por igualdade, não só de gênero, mas em prol de todas as minorias, foi morta. Mas a morte não aconteceu por causa de qualquer assalto do Rio, foi um crime político, o Estado a matou, a sociedade a matou. E só aconteceu pois ela possuía um cargo político, ou seja, ela tinha poder de mudança. E no mundo em que vivemos, mulheres não podem ter esse poder. Por trás da morte de Marielle, milhares de mulheres brasileiras morrem todos os dias, por serem mulheres e por quererem direitos.

A arte reflete tudo o que acontece na sociedade, então, conseguimos entender o porquê de não existir representatividade feminina dentro do mundo artístico. Mas, tendo como exemplo as Guerrilla Girls, Marielle e todas as brasileiras que lutam por igualdade de gênero, temos que continuar apoiando e lutando pelo espaço das mulheres na nossa sociedade.

Se não fosse o cartaz, nunca teria refletido que naquela sala com várias obras apenas quatro eram de artistas mulheres. E a partir de agora, irei reparar em todos os museus sobre a representatividade feminina na arte.