Pinacoteca de São Paulo

Aluna: Thaís Monique Melchior Baena – 2E 

Eventualmente, vou a alguns lugares do centro de São Paulo, porém, mesmo assim, minha mãe e eu nunca havíamos visitado a Pinacoteca. É um museu que sempre tive vontade de conhecer, mas nunca havia tido a oportunidade. Portanto, para a atividade cultural deste bimestre , optei por conhecê-lo. Fiquei muito impressionada com a grandiosidade do museu, tanto externamente como por dentro. É enorme e muito bonito! Não sabíamos que a Pinacoteca reunia vários acervos de diversos artistas. A visita torna-se mais rica ainda, já que se tem a oportunidade de visitar várias galerias diferentes em um só lugar, e, além disso, apreciar as esculturas que embelezam os corredores do museu. Particularmente, sou apaixonada por esculturas,
mais do que por pinturas. E eu adorei todas as esculturas que vi! Elas eram muito diversificadas, consegui reconhecer esculturas de diversos momentos da história da arte. Algumas muito detalhadas, outras mais simples; algumas em tamanhos reais, outras exageradamente grandes. Mas todas elas, admiráveis.

A primeira galeria em que entrei foi a de Hilma af Klint, que, inclusive, era bem extensa. A exposição chama-se “Mundos Possíveis”. A artista viveu entre os anos de 1862 e 1944, e é atualmente considerada uma pioneira da arte abstrata, mas seu trabalho permaneceu desconhecido durante a maior parte do século XX.

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Hilma cursou a Real Academia de Artes da Suécia entre 1882 e 1887, fazendo muitas pinturas de paisagens. Depois de um tempo, se distanciou de sua formação acadêmica para pintar os mundos invisíveis, que tinham uma temática espiritual. Em 1904, recebeu uma proposta para trabalhar com pinturas sobre o plano astral. Ela aceitou, e deu início a sua série de obras intituladas Caos Primordial, que são bem interessantes. Nessas obras, ela ilustra, através das cores dos quadros, estações do ano, sentimentos e a natureza. Formas de espirais são muito recorrentes em todas as pinturas dessa série, e são ilustradas em qualquer espaço da pintura. Existem várias hipóteses sobre a presença dos espirais nessas obras, como as de que eles podem representar ondas de rádio, crucifixos ou códigos de DNA. As obras que datam 1907 da série “As dez maiores” estão entre as que mais me chamaram atenção em toda a galeria.

Por fim, as obras de Hilma af Klint por que eu mais me interessei foram as três telas finais da série “As pinturas para o templo”, chamadas “Os Retábulos”. A série abrange 193 pinturas, sendo dividida por coleções, como o Caos Primordial, já citado. Essas pinturas estavam expostas em um ambiente separado das demais. Era uma sala com paredes escuras, e holofotes acima dos três quadros, destacando-os. Em frente a eles, um banco. As pessoas entravam, sentavam e ficavam em silêncio por minutos admirando as obras. Pinturas que remetem aos templos religiosos, estavam, praticamente, dentro de um! Transmitia-se a sensação de que todos que estavam ali, e isso me inclui, cultuavam aqueles quadros. Foi arrebatadora a atmosfera criada pelo
museu para expor as obras! Elas têm um conjunto de cores, o círculo e o triângulo equilátero diagramados de uma maneira ímpar em cada uma delas. É incrível como esses aspectos do quadro guiam o seu olhar debaixo para cima, de cima para baixo, ou começando pelo centro da pintura. É fantástico!

A segunda galeria em que entrei  traz obras do período da Vanguarda Brasileira dos anos de 1960, e é uma coleção de Roger Wright. Foi, sem hesitação, a galeria que nós mais gostamos de visitar! A maioria das obras eram mais interativas, algumas “3D”, utilizando materiais alternativos, saindo dos limites da pintura convencional. Penso que essa seja a maior diferença entre as galerias da Hilma af Klint e da Vanguarda Brasileira: as obras da Hilma af Klint são abstratas, algumas de difícil interpretação, não se sabe exatamente a mensagem que a artista queria transmitir através das obras. Já nesta coleção do Roger Wright, as obras têm temáticas relacionadas ao período em que foram feitas, e, desta forma, tem-se uma noção maior da ideia que é transmitida pelo quadro. Gostei muito de todas as obras desta coleção, com destaque para algumas, como uma obra feita inteira com canudinhos. Chama-se Cinzas, porque nela há canudinhos cinzas e brancos. De perto, percebe-se que são canudos, mas de longe dá uma ideia de ser uma massa, ou uma espuma, é muito diferente! Outra obra denominada Reina Tranquilidade me chamou atenção por serem várias faces e em cada boca estava escrito SIM, representando uma manipulação em massa.

As últimas duas galerias as quais eu entrei, eram sobre a Tradição Colonial e a outra sobre o Barroco brasileiro. Na primeira, muitas pinturas belíssimas, ricas em detalhes, que representam os escravos, e os colonos aqui no Brasil. Algumas obras, eram de artistas internacionais que nunca haviam visitado a América, mas representavam o Brasil em suas pinturas. Logo, essas ilustrações demonstram uma boa relação entre os colonizadores e os indígenas, o que se sabe que não ocorria; os indígenas são representados com características e traços de um europeu. Havia também algumas obras que representavam a paisagem sob olhar do colonizador, ou seja, a natureza era ilustrada perfeitamente, principalmente o Rio de Janeiro, já que essas obras eram mandadas para a Europa, a fim de transmitir a mensagem de que a colônia era um lugar lindo agradável.

Ao sair desta última galeria, quase na saída do museu, deparo-me com uma obra enorme. É a “Tunga: Tríade Trindade”, que é constituída de metais, imãs, tem cinco metros de altura e quatro toneladas de peso. A obra representa a trindade divina, que consiste na ideia de um único deus que é o pai, o filho e o espírito santo, e por isso a utilização de imãs, já que se forma uma unidade. E pode também fazer uma alusão ao corpo humano, em que todas as partes são conectadas e fazem com que o organismo funcione.

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