Memorial da Resistência

Aluno: Uriel Tiago Picinato de Assis – 2D

Para o 3° bimestre de 2018, irei relatar como foi minha experiencia ao visitar, no dia 29 de julho, o Memorial da Resistência. Realizei esse passeio com a minha irmã e com minha mãe, optamos por utilizar o transporte público, ônibus e trem, para chegar até a estação da Luz, um lugar marcado pela representação da decadência da vida humana. Ficamos entusiasmados em visitar esse museu para conhecer um pouco mais sobre um passado dolorido, causado pela ditadura militar vivenciada no século passado.

A ditadura militar no Brasil iniciou-se com um golpe de Estado no governo de João Goulart, acusado de comunista. Instaurou-se um governo militar, o qual foi responsável por enfraquecer o Estado de direito e minimizar a intuições democráticas do país. Durante o governo militar, a liberdade de expressão foi o direito mais fragilizado, fato explicitado, pela criação do Departamento Estadual de Ordem Política e Social de São Paulo – Deops/SP, órgão responsável pelo controle e repressão dos cidadãos, considerados rebeldes, pois organizavam movimentações politicas populares contrários ao governo vigente. Atualmente, o edifício utilizado como sede desse departamento é ocupado pelo Memorial da Resistência, o qual manteve os documentos e representações de sofrimento dos antigos presos políticos em sua exposição, fazendo com que o passado não seja esquecido.

Ao visitar o museu, podemos conhecer o ambiente em que muitas vítimas da ditadura sofreram com a repressão, através de perseguições, torturas e até com a morte. Logo que entramos no museu, deparamo-nos com um ambiente que mostrava todas as instituições de repressão espalhadas pelo país. Junto as fotos desses locais, havia textos informativos, os quais explicavam qual era função de cada instituição e em alguns casos, os mais bárbaros crimes cometidos contra a vida humana. Além disso, o Memorial, reconstruiu, em suas instalações, três celas idênticas às utilizadas pelos presos do Deops . Nessas celas, o que seguramente mais impressiona são os nomes e frases gravados em sus paredes: cada palavra e nome lidos nesse ambiente remetem ao quão dolorido e sofrido era passar dias torturantes dentro daqueles pequenos e sufocantes espaços. Encontramos também no museu algumas salas com documentos e relatos audiovisuais. 

A repressão, cometeu diversos atentados contra a vida humana. Considero extremamente injusto ao menos não comentar as cenas que vi no pequeno trajeto da estação da Luz até o edifício do Memorial. Ainda dentro da estação de trem, encontramos diversas mulheres, meninas e travestis, em uma situação degradante, causada pelo crack, que estavam vendendo seu corpo em troca de uma pequena quantidade de dinheiro que, provavelmente, seria utilizada para comprar mais drogas. Além disso, as ruas ao entorno do museu são marcadas por pessoas desfiguradas que ficam perambulando sem rumo algum, as quais evidenciam a negligência a vida desses humanos, que não possuem, no mínimo, seus direitos mais básicos, o que lhes tornam, verdadeiros abandonados. Ao vivenciar essas cenas, passei um longo tempo me perguntando onde estavam os direitos sociais daquelas pessoas e, também, por qual  motivo uma pessoa se submete a tal situação, de verdadeira decadência da vida humana.

Fazer esse passeio foi algo muito bom, pois me permitiu conhecer um pouco melhor a verdadeira história da ditadura militar e como esse período foi extremamente prejudicial para o povo de nosso país. Porém, o que tornou esse passeio extremamente gratificante foi a reflexão que ele me permitiu sobre a valorização da vida humana. Depois desse dia, percebi o real valor das coisas mais simples de nossa vida, como a nossa liberdade que, infelizmente, esteve ausente na vida daqueles presos políticos devido à oposição que realizavam ao governo vigente e, também, está ausente na vida daquelas pessoas que estão presas ao vício do crack, fato que os colocaram, ainda mais, à margem da sociedade e tornou as suas vidas verdadeiras representações, da degeneração humana.