“Admirável mundo novo”, de Aldous Huxley

Aluna: Gabriella Andreucci – 1C 

Minha história com esse livro começou no final de 2016. Por indicação de uma booktuber (youtuber cujo canal é voltado para livros), decidi comprá-lo e sair da minha zona de conforto de livros “fáceis”; mas desde o dia em que o comprei nunca havia separado tempo para lê-lo. Foi quando, como um pedido enviado do além para que eu finalmente o lesse, a proposta desta VA Cultural veio e eu fui praticamente “obrigada” a realizar tal feito, uma vez que meus pais não tinham tempo de me levar para fazer algo que se encaixasse nas exigências da atividade.

Por incrível que pareça terminei de lê-lo em cinco dias, o que, na minha opinião, é um tempo ótimo levando em consideração que se trata de uma distopia clássica, ou seja; além de compreender um mundo totalmente novo aos meus olhos, tive que me acostumar com a linguagem mais rebuscada e “antiga” (de difícil entendimento em algumas partes, vale ressaltar). Eu simplesmente me sentei e comecei a ler, nada muito interessante já que não houve participação de outras pessoas, porém posso descrever, entretanto, como me senti durante a leitura, a qual posso afirmar que foi um tanto quanto estranha e maçante a princípio; conflitante e tensa a partir do momento em que realmente me envolvi com a história. Como dito, no início não gostei tanto assim da história, já que tive que realmente me esforçar para entender toda a lógica desse “novo mundo”, mas conforme fui me familiarizando com as referências e termos usados, me senti cada vez mais presa e aflita com todos os acontecimentos. Por possuir elementos tão facilmente relacionáveis com a sociedade contemporânea, me sentia de certa forma desconfortável ao ter tantas verdades jogadas sem pudor algum na minha cara e isso fez com que, durante dias após o termino da leitura, eu refletisse e pensasse sobre o enredo e como apesar de parecer uma simples distopia, teve um impacto tão grande no meu dia a dia.  

Admirável mundo novo, como citado anteriormente, é uma distopia clássica. Escrito em 1931 por Aldous Huxley, um autor inglês que compôs além de romances, diversos ensaios; foi também editor da revista Oxford Poetry. Ganhou diversos prêmios e teve algumas de suas obras adaptadas para a televisão, sendo duas delas adaptações de Admirável mundo novo.

Apesar de ter sido escrito há mais de 80 anos, se encaixa e, de certa forma, explica a sociedade de hoje em dia perfeitamente – esse foi definitivamente o aspecto que fez com que eu gostasse tanto do livro. Na sociedade descrita, a manipulação é um fenômeno onipresente, a ponto de os indivíduos serem “criados/fabricados” em laboratórios. Eles eram divididos em castas, e dentro delas, teriam habilidades específicas, sem possibilidade nenhuma de mudanças. As crianças, por exemplo, assim como na sociedade atual (em sua maioria), são ensinadas e induzidas a gostar e não gostar de determinadas coisas, a ter mais habilidade em certas áreas do que outras, o que claramente se relaciona com a forte divisão de gêneros atualmente. Além disso, há um grande incentivo ao consumismo, até porque essa sociedade tem que se manter economicamente: ao invés de tentar consertar algo quebrado, simplesmente compram outro novo. Novamente, esse elemento reflete-se na nossa sociedade em que o consumismo é cada vez maior entre as pessoas e o fato de consumir mais do que o necessário se tornar algo normal, uma rotina. Para ser bem sincera, poderia escrever páginas e páginas de como esse livro se relaciona com a nossa sociedade, mas espero ter dito o bastante para que você se interessasse.

O fato é que já tinha perdido as esperanças de que algum dia realmente o leria, mas graças à atividade tive a oportunidade de me deparar com uma história carregada de críticas sociais e que se encaixa perfeitamente nos dias de hoje; portanto recomendo fortemente a leitura e reflexão de um mundo que apesar de ser novo é tão podre e manipulador como o velho.