Meia-noite em Paris, de Woody Allen

Aluna: Yasmin Barbosa (2B)

Ao analisar a lista de filmes divulgada pelo professor, o título “Meia-noite em Paris” soou de certa forma familiar a mim. Não sabia exatamente o porquê, mas minha atenção foi despertada. Inicialmente, pensei que o motivo seria o fato de que tal título, em minha perspectiva, remete a algo de caráter romântico, com o qual me envolvo mais facilmente. Entretanto, ao pesquisar a respeito do filme e ver seu trailer, me dei conta de que no ano passado meu professor de arte havia mostrado um trecho da obra. Devido à rotina corrida, apesar do interesse, acabei me esquecendo e não assisti ao filme.

Nesta nova oportunidade, sentindo-me em débito comigo mesma, resolvi dedicar um tempo para refletir e fazer algo que eu realmente goste. Nesse aspecto, ver que essa obra estava na lista de indicações do professor “caiu como uma luva”. Não se trata de um filme que comumente eu iria assistir, até porque não costumo gostar de obras que remetem ao passado, porém a abordagem deixou-me curiosa – há a menção a diversos artistas consagrados em uma espécie de aventura que o protagonista vive.

O filme conta a história de Gil Pender (Owen Wilson), que vai para Paris a passeio com sua noiva Inez (Rachel McAdams), aproveitando-se de uma viagem de negócios de seu sogro que, a propósito, nunca aprovou o relacionamento. Lá a mulher encontra um velho amigo de faculdade pelo qual era interessada e ele, juntamente com sua esposa, guia o casal por pontos turísticos. Durante todo o tempo, esse amigo demonstrava de maneira arrogante os seus conhecimentos sobre as obras e os locais que visitavam e Inez não consegue esconder seu interesse por ele.

A partir desse momento fica evidente que, apesar de estarem às vésperas do casamento, Gil e sua futura esposa são muito diferentes: ele, um roteirista de Hollywood, não gosta dos trabalhos artificiais que produz e está escrevendo um romance, cuja inspiração para tal parece florescer em Paris, cidade onde seus ídolos viviam nos anos 20; ela, como se estivesse cega de admiração por seu “amigo”, não compreende a paixão do marido e o repreende sempre que este demonstra vontade de morar no local.

Certo dia, Gil decide caminhar sozinho pelas ruas da cidade e, momentos depois de se sentar para descansar na frente de uma Igreja, um carro antigo para em sua frente e os passageiros insistem para que ele entre. Ele chega à festa e se dá conta de que está na presença de seus ídolos da literatura francesa dos anos 20 – Scott, Zelda Fitzgerald e, principalmente, Hemingway, seu maior ídolo, para quem pede que leia seu romance.

No dia seguinte, Gil está perplexo diante de toda a situação e não sabe se a experiência realmente aconteceu. Vai para o mesmo local no mesmo horário e tudo se repete – inclusive ele se apaixona por uma namorada de Picasso. Na “vida real”, descobre que está sendo traído por sua noiva e eles cancelam o casamento.

A história me trouxe ansiedade em diversos momentos, principalmente quando Inez aparece no momento em que ele está saindo do hotel com um presente em mãos para entregar para a mulher por que está apaixonado e, tentando disfarçar, inventa uma desculpa. Por outro lado, me fez ranger os dentes em cada um dos momentos em que aparecia o homem pelo qual Inez “era” apaixonada, tendo em vista seu egocentrismo e prepotência.

Assisti à obra sozinha, em minha cama, no notebook. Simplesmente eu e o filme. Gostei tanto que foi como se eu estivesse na pele do protagonista. Por um lado, há a necessidade de mascarar tudo o que ele viu, já que sua noiva vai simplesmente pensar que ele está louco (como de fato pensa) e, por outro, os sentimentos são tão intensos que dá vontade de gritar para o mundo.

Me identifiquei com o fato de que, na maior parte das vezes, no mundo globalizado atual, produzimos coisas que não refletem realmente a nossa essência, não fazemos as coisas para viver e sim para sobreviver. Há uma necessidade de ceder, pelo menos por um momento, aos verdadeiros desejos e paixões, como faz Gil ao andar por Paris.

Woody Allen, diretor do filme em questão, costuma sempre representar mulheres marcantes, inteligentes, complexas, como a dama do passado pela qual Gil se apaixona. Ele tenta sempre criar referências culturais em suas obras, no caso, os vários artistas mencionados e suas vidas e na maioria dos casos coloca um ritmo de jazz ao fundo nos seus créditos. Apesar disso, em “Meia-noite em Paris”, não é necessário ter um grande repertório para compreender a trama.

Recordando as minhas aulas de literatura, percebi uma característica dos poetas românticos muito marcante no protagonista, apesar dos artistas mencionados e toda a trama não pertencer a tal escola literária (Romantismo). O escapismo é algo evidente em Gil, que procura fugir da sua realidade marcada pela produção de roteiros que não refletem o que ele realmente busca – o que o público hollywoodiano procura em uma produção cinematográfica não faz parte da essência deste homem e do que ele considera importante, por isso ele se diverte tanto fugindo dessa vida. Além de sua futura esposa não ter olhos para ele e seu trabalho não trazer emoções, o “amigo” de Inez faz com que ele passe por constrangimentos a todo momento.

O diretor, Woody Allen, com atores do filme.

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